quarta-feira, 18 de abril de 2012

O Som do Silêncio




Devagar, como se tivesse todo o tempo do dia,
descasco a laranja que o sol me pôs pela frente. 


É o tempo do silêncio, digo, e ouço as palavras
que saem de dentro dele, e me dizem que
o poema é feito de muitos silêncios,
colados como os gomos da laranja que
descasco. E quando levanto o fruto à altura
dos olhos, e o ponho contra o céu, ouço
os versos soltos de todos os silêncios
entrarem no poema, como se os versos
fossem como os gomos que tirei de dentro
da laranja, deixando-a pronta para o poema
que nasce quando o silêncio sai de dentro dela.
Refletir, meditar, é ir ao encontro do silêncio... 
Descascar uma laranja em gomos, 
é sim um momento de ouvir o silêncio, 
e ir degustando bem devagar pra aprender 
como são necessários esses momentos...


Nuno Júdice

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